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Consciência tranquila
O avô de Manuel repetia muitas vezes um ditado: “Quem não deve, não teme.”

Transcript
“Quem não deve, não teme.” O meu avô dizia isto muitas vezes, mas, quando eu era miúdo, não percebia bem o que queria dizer. Hoje percebo muito bem.
Na semana passada, a polícia mandou-me parar numa operação stop. Estava tranquilo: tinha os documentos em dia e não tinha bebido nada. O agente pediu-me a carta de condução, verificou que estava tudo em ordem e desejou-me boa viagem. Foram dois minutos, nada mais.
Há uns anos atrás, foi bem diferente. Andava com a inspeção do carro em atraso e, quando vi a polícia ao fundo da estrada, fiquei com o coração aos saltos. As mãos tremiam-me no volante. Nesse dia não me mandaram parar, mas passei o resto da viagem a pensar no assunto. Foi aí que percebi o ditado na sua essência.
Quem não deve, não teme: quando temos a consciência tranquila, não há razão para ter medo.
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